quarta-feira, 3 de fevereiro de 2010

Projeto de Aprendizagem


Na minha opinião o trabalho com projetos de aprendizagem promove maior envolvimento da turma, visto que a proposta de fato parte da mesma, que não apenas define o tema a ser desenvolvido, como antigamente e aguarda as propostas trazidas pelo educador. E não quero que aqui pareça que estou referindo-me a uma educação bancária. Não mesmo.

Muitas vezes bons educadores deparam-se com um interesse da turma acerca de uma questão específica, aprofundavam-se, realizavam pesquisas sobre a questão e listavam uma série de atividades que poderiam envolver a turma e resultar em aprendizagens significativas.
Hoje, falar em um projeto de aprendizagem é fazer jus ao nome. É debater com as crianças sobre qual a questão chave que deve nortear a pesquisa, debater com os alunos acerca da necessidade de restringir-se o leque de pesquisa, não inviabilizando a realização e inclusive o término da mesma, por excesso de informações que acarretaria. Mas igualmente é importante lembrar o papel mediador do educador, que não deve conduzir ou nortear o projeto e a pesquisa, mas dar suporte aos alunos para descobrirem coisas novas, confirmarem antigos conhecimentos e criarem livremente.

Com a possibilidade de ampliar o número de pessoas que interagem na pesquisa devido à possibilidade de conexão oportunizada pela internet, mais sujeitos e saberes contribuem para a ampliação do conhecimento.

É importante também destacar a função colaborativa deste tipo de trabalho, que destaca não a função competitiva da educação, mais supervaloriza a formação de equipes e a aprendizagem da importância do trabalho em grupo, o que contribuirá para a formação de adultos mais independentes, éticos e profissionais.

Recuperação SI

Como não estava conseguindo acessar meu blog, remeti algumas condideraçãoes iniciais à tutora Simone. Acesso liberado ao blog, passo a postá-las e incluir novas impressões.

sexta-feira, 25 de dezembro de 2009

Freinet e Montessori

Nossa, que delícia ler sobre Freneit e Montessori!

É sempre muito bom conhecer a origem de boas idéias. E note, que não são novas.

Nunca utilizei e nunca tive a idéia de fazer correspondência entre escolas, nem entre turmas. Veja que idéia simples e bacana. Lembro-me que na minha infância, trocamos cartas na sala de aula e eu já julguei o máximo.Imagine receber do correio! Porque não saber de outro estado, de outra cidade ou país? Nos fechamos nas nossas fronteiras e infelizmente muitas vezes elas se encerram na porta da sala.

Não sabia que eram de Freinet as idéias da Escola da Ponte. Os cantinhos com diferentes instrumentos de pesquisa e aprendizagem... os espaços da sala de aula são uma idéia ótima, mas também refletem uma difícil mudança de paradigma. Temos dificuldade de não estar no controle... eu ao menos me assusto ainda um pouco com a idéia, apesar de julga-la magnífica! É difícil imaginar uma aula que não seja conduzida, criteriosamente acompanhada. Acho que ainda carregamos ass chagas do militarismo.

Montessori eu não conhecia, mas já utilizava suas idéias. Quando não tinha material dourado, usava fundos de garrafa e tampinhas. E sabe que eu achava mais gostoso? Usava prendedores de roupa e aos poucos , orgulhosamente, as crianças iam por si próprias abandonando o concreto e todas bobas fazendo a continha direto no caderno. Dar aula é uma festa!

Comunidade surda


Há anos atrás tive contato com uma menina surda e conseqüentemente em seus aniversários com seus amigos, que encontravam-se em igual situação. Eu tinha pena até conhece-los. Entrosavam-se com facilidade e comunicavam-se entre si com perfeita tranquilidade, prazer e harmonia.

Fiquei imaginando como deveriam se sentir em ambientes habitados por ouvintes, visto que me sentia completamente deslocada na ausência de tradutor. Fiquei fora do assunto e imaginando inclusive se falam de mim e se falavam, o que. Falando disso, lembro-me que ela sempre dizia que se casaria com um surdo, porque queria sempre saber o que o marido dela dizia dela. E de fato o fez. Interessante destacar que ele dirige. Coisa fantástica, não? Julgava isso uma função inexistente a essas pessoas.

Meus conhecimentos restringiam-se ao alfabeto e a vagas palavras como amigo, familiares, cumprimentos e verbos básicos (bem básicos). Estava completamente perdida. Mas o amargo da situação é que aquela era uma situação isolada. O comum é a exclusão ser no sentido contrário.

Aprendi que as comunidades surdas buscam alternativas para suprir suas limitações e conseqüentemente possuem hábitos únicos. Voltando a festa...lá, dançavam de pés descalços para sentir a vibração da música, olhavam atentamente para os lábios alheios (falando de ouvintes) para captar falas dos analfabetos em libras.

Percebi que na escrita usam verbos no infinitivo. Na época ainda não existia celular para o uso de mensagens: a moda eram cartinhas e bilhetinhos mesmo. Ela também não possuía telefone. Recados eram dados por tradutores de ambos lados da linha.

Interessante também era a forma como a família desta minha amiga agregava-se ao grupo, integrando a comunidade surda. Comunicavam-se junto com desenvoltura e harmonia, pertencendo a um mesmo grupo. Mas essa não é a regra. Ela possuía recursos financeiros. Aliás, muitos recursos.

O praxe, é a vivência de Jonas. Sem apoio, sem condições financeiras, exclusão social, incompreensão. Que bom que a legislação incluiu libras no currículo. Aliás, a lei é de quando? E qual a carga horária mesmo? Será que um real investimento na icnlusão não deveria confiigurar na exigência de uma carga horária que garantisse pelo menos o conhecimento básico da língua? Quem de nós sairá desta faculdade sabendo conhecimentos mínimos de libras? Não estou criticando a universidade, ela segue os padrões legalmente definidos. Olha, eu apanhei e muito pra encontrar palavras no vídeo de conversação da educadora que compreendesse. Olhei de cabo a rabo o dicionário (que deixei salvo no computador e no pendrive...muito bom! E a gente nunca sabe se vai precisar).

Penso que o Governo Federal deveria baixar uma norma sobre qualificação de todos para a inclusão social e deveria garantir cursos em todo país. Não podemos receber crianças de inclusão e aí nos ser oportunizada a capacitação. Precisamos estar preparados.

Planejamento

Achei muito interessante a atividade de revisão do planejamento e gostaria de retomar algumas questões sobre a reflexão propiciada.

1. Para o planejamento, você escolheu um tema a ser desenvolvido. Qual é a importância deste tema para os seus alunos, isto é, para o grupo para quem planejou, no dia de hoje? É um tema de que os alunos precisam hoje para resolver algum problema concreto? Para satisfazer alguma curiosidade?

Respondendo a questão, conclui que nunca havia me feito estes questionamentos. E eles passarão a integrar a minha vida de educadora e o meu cotidiano em sala de aula. Confesso que às vezes eu me questionava sobre a importância de conteúdos que estavam na lista e me sentia na obrigação de passar. Meu namorado dizia que minhas idéias revoluvionárias desvalorizavam conhecimentos tradicionais.

2. Qual é a relevância do tema escolhido para seus alunos no futuro? Em que o tema vai contribuir para a vida destes alunos?

Eu juro que me questiono até hoje qual a importância do substantivo ser abstrato ou concreto. Perdemos muito tempo de produção textual, nos dedicando a classificações inúteis.

3. Qual é o acesso que os seus alunos têm ao tema? O que eles já sabem sobre o tema? Onde o tema aparece no cotidiano dos alunos? O que pode motivá-los a trabalhar com este tema?

Pois é. Às vezes o acesso limita-se aos bancos escolares (usei o termo propositalmente para indicar a situação de ultrapassado). Penso que o que os motiva é a consciência de significatividade. Voltando ao substantivo. Eles sabem, que escrever e conhecer as normas de escrita é importante. Mas classificar substantivo na 4º ano, 5º ano?

4. De que forma esta atividade planejada se relaciona com outras áreas do conhecimento além da linguagem? Quais são elas?

Olha, se não se relaciona, não é importante. No mundo, tudo está integrado.

5. O tema escolhido poderia ser um tema desencadeador para desenvolver um projeto mais amplo e interdisciplinar? Seguindo as etapas como os projetos são desenvolvidos, o que você teria que fazer antes de explorar o tema da forma prevista? E o que você teria que fazer depois?

Essa, mata. Se não desencadeia um projeto, filho, é um subtema e aí você começou do ponto errado.

Falando de ponto, relembremos as etapas da construção de um projeto:

* ·

  • Relacionar as curiosidades das crianças sobre o tema, listar os conhecimentos que já possuem acerca dele e as dúvidas que cada um tem.
  • Pensar caminhos e métodos a serem utilizados para o estudo do tema.
  • Formar um planejamento com as crianças, sugerindo as etapas e prazos a serem seguidos
  • Iniciar a execução do projeto
  • Realizar as adaptações necessárias
  • Acolher novas sugestões
  • Agregar novas dúvidas
  • Confirmar certezas
  • Sintetizar os conhecimentos adquiridos.

Para concluir, quero destacar que construção de projeto não é novidade para nós. O que é novidade, é o método, como acabei de listar. Antigamente, fazíamos de conta que estávamos indo ao encontro das curiosidades das crianças. Na verdade, elegíamos a ordem dos conteúdos da lista e criávamos SOZINHOS um projeto de trabalho, agregando o que julgávamos mais ou menos relevante e iniciamos a execução da nossa criação, esperando que as crianças atingissem os objetivos que nós determinamos.

Hoje, fazer um projeto de aprendizagem implica em verdadeiramente acolher os interesses, dúvidas e curiosidades das crianças e criar com elas o projeto, definindo coletivamente os passos a serem seguidos e os objetivos a serem alcançados.

Alfabetização

Eu acho a alfabetização o máximo!

Acho formidável acompanhar a criança avançando os degrauzinhos da escrita e ir elaborando as suas teorias para criação da escrita.

É mágico perceber que uma hora elas enchem de símbolos, letras e números uma linha para escrever o nome de coisas grandes e outra hora já estão pensando atentamente a sonorização da sua grafia para completar a palavra de maneira correta.

Vamos relembrar cada fase:

· Pré-Silábica: ainda não entende que a escrita representa sons. Utiliza-se desenhos e sinais. Algumas, após desenharem o objeto chegam a afirmar “Eu escrevi... (tal coisa)”. É importante nesta fase destacar as diferenças entre desenhar e escrever. É muito bom trabalhar com a letra inicial e final das palavras, manusear livros, letras soltas, brincar com a escrita. É importante não pressionar a criança e garantir que ela não se sinta pressionada. A criança, apesar de elaborar as suas hipóteses, percebe que as suas crenças são distantes da firmeza dos colegas silábicos e alfabéticos e sente-se insegura e incomodada nesta fase.

· Silábica: quando compreende que a sílaba é um pedacinho da palavra, a criança passa a representar a escrita utilizando uma letra para cada sílaba.Algumas vezes, a letra utilizada para registrar a sílaba nem tem relação fonética com a palavra. Para mim, esta é a fase mais bonita e encantadora e eu a subdividia em duas: 1 – quando reconhece apenas o número de sílabas. 2 – quando já utiliza na escrita as letras da palavra. Exemplo: AM (bola – S1) BA (bola – S2). Penso que nesta fase o atendimento individualizado pelo professor, repensando com o aluno a escrita do mesmo e reelaborando-a seja o caminho para a mudança de etapa. Dar acesso a sílabas para a construção de novas palavras através da junção das mesmas. Escrever coletivamente.

· Alfabética: possui a noção de que a palavra é formada por sílabas e que as sílabas formam-se a partir da junção de fonemas. Mas é muito comum ter dificuldades ortográficas ou não redigir letras como R em final de sílaba/ final de palavra.

Penso que o processo de alfabetização conceitua-se como uma reconstrução permanente. Penso que o educador deve estar permanentemente motivando seus alunos, atendendo-os pacienciosamente, ajudando-os a pensarem sua escrita, a lerem e reescreverem seus registros. Sou a favor do reconhecimento inicial, por etapas, da sonoridade das letras, da dedicação à descoberta da letra inicial e final das palavras, para a partir daí realizar-se a construção de unidades maiores.

Não estou abominando os textos ou as frases. Penso que o acesso aos mesmos é imprescindível. Mas de uma forma ou outra, como numa porção de contagotas, a criança terá que começar a desvendar um a um os símbolos para desvendar o enigma. Nunca vou esquecer-me do belo alfabeto árabe (ilustrado, claro) que nos foi disponibilizado para descobrirmos a grafia de palavras ou traduzirmos para o português. O cansaço e o pavor de alunos adultos da turma ( e o meu também), me fizeram compreender, pensar e me sentir literalmente como uma criança analfabeta.

Marta e a EJA

Lendo Marta Kohl de Oliveira, refleti sobre a experiência que tive com alunos adultos. Destacava-se, durante a leitura, sempre a expressão “não crianças”, o que é o extremo oposto da formação de magistério. A nossa formação prepara nossa mente para o lúdico, para a conversa franca, o linguajar simples, a fantasia, o concreto. E isso é ótimo!

Na minha opinião, os alunos de educação de jovens e adultos exigem dedicação e preparo muito maior do educador, uma vez que o mesmo estará atendendo alunos diferentes do padrão de escolarização regular ao qual está habituado e na maioria das vezes para o qual foi preparado.

Assistindo as apresentações dos banners das colegas, sobre o retrato da EJA, percebi que na maioria das escolas observadas, os professores não possuem preparação específica e alguns nem a dedicação mínima. Isso é alarmante, uma vez que trata-se de uma parcela da sociedade frágil, que já passou por um processo de exclusão.

Nas salas de aula da EJA é imprescindível que o aluno seja motivado permanentemente, que seja resgatado da sua condição de inferioridade que é sua realidade há anos, visto que pela sua falta de conhecimento, pré-concebe que não tem condições de efetivar sua inserção social.

Acredito que devido ao fato de esses alunos se sentirem à parte da sociedade, a função principal da EJA seja a reinserção social.

Na opinião de Oliveira (1987, p. 19-29) “ o desenvolvimento das atividades escolares está baseado em símbolos e regras que não são parte do conhecimento de senso comum. Isto é, o modo de se fazer as coisas na escola é específico da própria escola e aprendido em seu interior.

Já passou da hora de repensarmos os modelos e utilizarmos metodologias que valorizem os conhecimentos e experiências do aluno, mostrando-lhe as suas contribuições para a vida em sociedade e resgatando, desta forma a sua auto-estima, bem como fundamentando a auto-confiança, imprescindível para o enfrentamento das dificuldades e expansão dos conhecimentos.

Freire partia da valorização da experiência e do interesse intenso sobre a vida, os desejos, os conhecimentos e as experiências de cada aluno. Freire partia dos pressupostos de que o conhecimento “contido” no aluno deve ser resgatado e reconhecido e de que a troca de experiências e a vivência de fato do conhecimento são as maiores fontes de crescimento.

Imagine você, sentindo-se inferiorizado, cansado de um dia inteiro de trabalho, preocupado com a saúde dos filhos, com a certeza de que estão bem alimentados, com a tristeza de não proporcionar-lhes o que deseja,sentar numa sala de aula onde são tratados assuntos que efetivamente não lhe farão diferença, que lhe roubarão horas de sono ou o pior, que você nem tem de fato idéia do que significam. Você apenas ouve e tenta decorar porque alguém está dizendo que são importantes.

Há coisa de dois meses atrás, participei de uma formatura do Programa EJA Intensivo. Lembro-me de ter me chocado ao ouvir uma professora me informar que um de seus alunos não se faria presente naquela noite, porque havia ficado fazendo hora extra na empresa. Fiquei abismada e revoltadíssima, percebendo como ainda o setor privado não investe e não apóia a qualificação profissional.

Estes jovens ocupam espaços no mercado de trabalho que exigem pouca qualificação; exigem esforço físico, são estressantes, configuram-se como atividades de repetição que acabam levando o esgotamento do corpo e comprometimento da saúde.

Mas a educação está ai para mudar este quadro. E eu acredito fielmente nisso. Mas aí, quem ocupará os cargos profissionais mau remunerados? Ah, claro, o desemprego e o medo da fome fazem o homem submeter-se a tudo. A hipocresia do mercado, alega oportunidade, para garantir a formação mínima necessária para garantir o lucro e a produtividade desejada.